“Vou fechar de vez meu estabelecimento”: Empresários lamentam novo fechamento de comércio em Rio das Ostras

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"Vou fechar de vez meu estabelecimento": Comerciantes lamentam novo fechamento de comércio em Rio das Ostras / Foto: Internet

Neste fim de semana o município de Rio das Ostras decretou bandeira laranja na cidade, por conta do aumento no número de casos e mortes por coronavirus, o que resultou no fechamento de setores comerciais que o funcionamento já estava liberado, seguindo o decreto. Bares, restaurantes, lojas de vestuário, calçados, presentes e outros segmentos foram proibidos. A medida pegou alguns comerciantes de surpresa, que indignados desabafaram sobre o atual cenário econômico do setor comercial.

Vanessa Barros, dona de duas lojas de vestuário , que ficam no Centro de Rio das Ostras, fez um grande investimento ampliando seu negócio e abrindo outra unidade recentemente também na região central, mas logo veio a crise do coronavirus, ela desabafa: “As praias lotadas final de semana sem fiscalização e penalização, acaba que o comércio sempre sai perdendo. Muito injusto. Exigem tanto dos comerciantes para trabalhar com medidas preventivas de proteção e não há fiscalização e pessoas suficientes para fiscalizar as praias”, comenta a empresária indignada.

Diogo Mathias é sócio proprietário de um estabelecimento comercial no bairro Jardim Mariléa, com o novo ordenamento de fechamento ele já decidiu encerrar de vez suas atividades. ” No fim de março já comecei a perceber que não seria fácil. Continuei tendo várias despesas, logo veio a notícia de que teríamos que fechar, o sistema delivery e vendas on-line não foi o suficiente para mantermos nossas despesas, mandei 8 funcionários pra rua, fechei minha unidade em Niterói, colocamos nossa família para tocar o barco, remamos bastante mais não conseguimos, hoje com uma enorme tristeza declaramos o fim de um projeto dos sonhos de duas famílias. A impressão que fica é que fracassamos, lutamos, investimos, nadamos e morremos na areia”, desabafou o comerciante.

Patrícia Valderde, Presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Rio das Ostras) nos encaminhou um texto desabafando: “Uma arbitrariedade, estamos cansados da falta de posicionamento do poder público. Estão querendo com esse fechamento, minar a economia do município. Não aguentamos mais fechar as lojas se estamos todos seguindo todas as determinações da OMS, enquanto isso, os comércios que causam aglomerações continuam abertos, esses sim deveriam sofrer severa fiscalização, o que não ocorre”, disse a presidente da CDL.

A Prefeitura disse que, entende a questão econômica que a situação exige, mas o que importa é a saúde de todos. Aurora Siqueira, secretária de Turismo e Desenvolvimento Econômico do município, alertou que é fundamental que a população também faça a sua parte ficando em casa e tomando todas as precauções possíveis para evitar a contaminação.

A administração disse, que o fato do comércio ter reaberto parcialmente, não torna obrigatória a saída das pessoas que devem continuar em isolamento e sair de casa somente se extremamente necessário. As medidas decretadas precisam ser respeitas e cumpridas, como o uso da máscara facial e a higienização com álcool em gel 70%.

REGRAS: O QUE PODE E O QUE NÃO PODE FUNCIONAR

Com a decisão, a flexibilização gradual do comércio recua e o funcionamento será mais rígido, passando a ter mais restrições com a proibição de algumas atividades que já estavam liberadas parcialmente. A partir de terça-feira (28), somente os comércios considerados essenciais, como mercados, padarias, açougues, aviários, peixarias, hortifrutis, farmácias, lojas e depósitos de material de construção, de autopeças, oficinas mecânicas, borracharias empresas de água, luz, gás e reciclagem; e funerárias poderão ter o horário de funcionamento normal.

Consultórios médicos, dentistas, psicólogos e fisioterapeutas poderão funcionar para atendimentos de urgência.

Restaurantes, bares, quiosques, lanchonetes, cafeterias, docerias, lojas de conveniência e similares só poderão funcionar por entrega ou por sistema de drive thru, com retirada direta, sem ingresso ao interior da loja, nem consumo no local ou utilização de mesas e cadeiras. Depósitos de bebidas também só poderão funcionar nas mesmas regras e não poderão vender bebidas geladas.

Todas as demais atividades estão temporariamente impedidas de funcionar, inclusive comércio de vestuário e calçados, estando liberados somente serviços de vendas online.Inicialmente, o prazo de validade deste Decreto é de sete dias, a contar do próximo dia 28 de julho. O estabelecimento que não cumprir o novo decreto terá o alvará de licença cassado, alertou a prefeitura.